quinta-feira, 22 de maio de 2014

A partida tão esperada, para Portugal, por Paulo Lopes


Paulo escreveu: Estou como tu José Guedes! Talvez o Jose Capitao Pardal, Rui Briote, Gilberto Pereira, João Marcelino, Livre Pensador e mais uns quantos gostem de ler. 


Afinal não tinham sido capazes de destruir completamente os sentimentos humanos que tinha trazido comigo quando saí de Lisboa. 


Qualquer coisa de bom ainda tinha ficado dentro de mim: sem saber porquê, nem porque não, entrou no meu pensamento — enquanto navegava pelas ruas das diferentes cidades de Moçambique, ainda de camuflado já gasto e calejado encostado à minha pele — uma constante e preocupada pergunta: como é que teria corrido a primeira picada de regresso à Mataca aos nossos substitutos? 

O meu pensamento voou pelo imenso território e transportei o desejo sincero de que tudo tivesse corrido bem!

Apesar do estado de espírito ser bem diferente daquele que me tinha acompanhado durante largo e vasto tempo, começava a ficar com uma enorme ansiedade no corpo por tanta demora para a definitiva partida. 

Acabaram em princípios de Julho de mil novecentos e setenta e quatro, todos esses trabalhos liquidatários. 

Finalmente, tínhamos viagem marcada para Lisboa: dia vinte e oito de Julho de mil novecentos e setenta e quatro saímos de Nampula, com destino à Beira para, no mesmo dia, apanharmos o avião até Lisboa.

E assim foi... Assim foi mas só para o capitão e o primeiro-sargento. 
Eu fiquei! 
Um engano mecanográfico mantinha-me preso e à espera de nova marcação. 
Mais uns dias de separação do abraço aos meus!

Mas, dia um de Agosto de mil novecentos e setenta e quatro (o meu verdadeiro vinte e cinco de Abril) saí da Beira com destino a Lisboa.

Uma lágrima de alegria escorria pela minha face. 
Um adeus a África que nunca foi, não é, nem será, minha!

In "Memórias dos Anos Perdidos ou a Verdade dos Heróis"
paulo lopes"