domingo, 19 de julho de 2020

Para daqui a 3 anos recordar..., por Fernando Lourenço

02/11/2016
Aos amigos e restantes elementos da página.

Sou mais um dos muitos milhares que utilizam o Facebook. 
Nunca tive amigos virtuais. 
Todos os que lá constam como meus amigos são pessoas que de alguma forma se cruzaram comigo e tiveram uma relação que não foi passageira. 
Reatei laços julgados perdidos.
 
Quando há uns anos aderi à página do Batalhão, fi-lo com algum entusiasmo e empenho. 
Embora eu sempre tenha feito questão de não perder o contacto com alguns que tinham estado comigo em Moçambique, era uma página onde estavam Homens que tinham durante algum tempo feito parte da minha vida, porventura alguns, contribuído para o meu enriquecimento pessoal e substituindo uma família que ficara longe. 
Lá constavam pessoas que eu não conhecia, mas que interessava isso, era um Batalhão, tínhamos ido na mesma altura, tínhamos tido mais ou menos as mesmas vivências. 
E os homens da companhia “tal” contribuíam com fotos e relembrando acontecimentos, o mesmo fazendo elementos de outras companhias. 
Ao relembramos o tempo lá passado juntávamos o tempo que vivíamos agora. 
E alguns de nós até começamos a conviver em encontros pessoais e familiares. Bastante salutar.
Mas as fotos e as histórias começaram a escassear. 
As histórias passaram a ser estórias as fotos a preto e branco daquele tempo, passaram a ser a cores, se possível com um rabo feminino bem avantajado e os temas de conversa passaram a ser (como é que hei-de dizer?) … conversa da treta. 
A acrescentar a isto foram entrando novos elementos. 
Se ao princípio entravam familiares, principalmente filhos, que ficaram a saber como tinha sido a vida dos pais antes de eles nascerem, começaram a entrar elementos que não tinham nada a ver com o Batalhão. 
Não era inédito mas a excepção não faz a regra. 
E a página foi-se descaracterizando. 
Não era melhor nem pior, era diferente. 
E se ao início alguns de nós mencionávamos assuntos mais intimistas, daquelas que se contam aos amigos, começamos a ser mais cautelosos. 
Afinal de contas, estávamos a libertar sentimentos a pessoas que não conhecíamos de lado nenhum. 
Também penso que não deve interessar a quem não conheço de lado nenhum, se fui almoçar e o que comi e onde, se estive a lavar o carro ou a impermeabilizar a varanda, se fui às compras ou levar os putos à escola. 
Isso faço na minha página porque só os meus amigos vêem. 
Mas isso sou eu. 
Mas o porquê desta “lengalenga”? 
Porque parece que os que não visitam a página, os que que não colocam um “gosto” ou os que não entram nos comentários ou diálogos, estão a ser visados por “mau comportamento”.
Digo e repito o que há muito venho dizendo: a página do Batalhão acabou. 
Esta página agora é outra coisa. 
É uma página onde um conjunto de pessoas vão-se entretendo a colocar “coisas” umas interessantes e outras nem por isso, conforme a disposição ou a forma de estar numa rede social de cada um. 
Agora vou socializar de verdade com amigos numa jantarada.
Se alguém fizer um comentário a esta minha última informação do género: 
O que é que eu tenho a ver com isso? sobe na minha consideração.



Respeito todas as opiniões como norma a mim imposta. 
A página foi criada pelo Pardal há uns tempos e, como nunca houve um " estatuto formal" é natural que tenham entrado elementos não ligados por tudo o que passamos naqueles dois anos. 
Esse procedimento levou a certas opiniões contrárias, mas a maioria prevaleceu. 
Como os relatos, fotos e outros assuntos relacionados com a nossa vivência se esgotaram, começou aceitar-se elementos oriundos de outros batalhões que vieram colaborar para dar um incentivo à página que se sentia desfalecer. 
É pena e os resultados estão à vista o fim está próximo por mais apelos que faço a uma camaradagem sã. 
Andarei por aqui contra ventos e marés, pois não desisto ao soprar de ventos contrários...Abraço

José Dias Nunes Gostei do texto do Fernando Lourenço, embora passe todos os dias pela página mas já não comento tanto como comentava, enquanto a página estiver, active irei fazendo sempre uma visita embora não goste de muitas coisas que se tem passado.

Armando Guterres Eu continuo com a mesma opinião:
Também faz parte da página, o pessoal desanuviar. 
Não é problema se um dia, por coincidência, ninguém aceder a ela.

Joao Cerqueira Um abraço ao Fernando Lourenço. e para todos os camaradas ao Duarte Pereira QUE É UMA MAQUINA NAS RESPOSTAS.

Livre Pensador Foi na pujança dos nossos 20 anos que nos encontrámos e convivemos, tanto nos bons como nos maus momentos. Nessa altura todos os temas de conversa, por muito absurdos que fossem, serviam para nos ajudar a passar o tempo. A nossa irreverência e juventude tudo tolerava e aceitava. Passados mais de 40 anos, tudo mudou. Há os que se melindram quando o tema é futebol, os que se aborrecem se o assunto é politica, os que ficam indispostos quando se fala de comida e também os que se cansam só de ouvir falar em arranjos ou obras. Por mim, cheguei a uma conclusão: ESTAMOS VELHOS E RABUGENTOS! Um abraço a todos. Ribeiro.

Ant Enc A liberdade tem destas coisas.
Embora concordando com o Fernando Lourenço e percebendo o seu sentir, porque me parece que a entrada de "estranhos" quebra a privacidade, também penso que a página, para ser verdadeira, terá de ser o somatório de todas as
sensibilidades.
Como disse, e muito bem, o Ribeiro Livre Pensador estamos rabugentos mas, mesmo assim, podemos (devemos?) aceitar cada um como é, sem que seja necessário mudar a maneira de estar ou de brincar, para participar neste encontro diário e informal de velhos amigos e conhecidos.
Não será nesta idade que deixaremos de ser como somos e a página fica variada e mais rica, com historietas, curiosidades, notícias da horta ou dos netos, dos encontros e dos copos, dos passeios de barco e dos táxis e das bundas do Gilberto Pereira.
Somos nós e que sejamos por muitos e bons.

Duarte Pereira Muitos comentários teriam o meu "gosto" . Estou com um pouco de pressa, mas garanto que os li todos.

José Guedes Depois de tantos comentários fiquei sem espaço para dizer alguma coisa,. mas nunca esquecer a razão desta nossa amizade, para mim é a parte mais importante,.. um abraço para todos,....

Américo Condeço Completamente de acordo com todos os convivas, os diplomaticamente correctos ,os deixa andar ,os que tanto lhes dá como não, enfim TODOS, mas não esquecer nunca que a minha LIBERDADE começa onde a do outro acaba e vice versa, VIVA A AMIZADE!

Leonel Pereira Silva Boa "malha" amigo Condeço, um abraço extensivo a todos os visitantes da página.

Duarte Pereira São quase 15 H do dia 03 - 11 - 2016 . 61 "espreitadelas" em menos de 24 horas de publicação. Será que a foto da malta também terá chamado a atenção ? .

Duarte Pereira Continuo a aguardar o comentário do José Capitão Pardal . Fazes favor de dizer de tua justiça . Obg.

Jose Capitao Pardal Liberdade e Igualdade na Diversidade...
Duarte Pereira São quase 21,30 H. Artigo visto por 69. Para mais ou menos 27 H, não está mau. Quando os outros aparecerem já caiu na página.
O Jose Capitao Pardal, poderia conservar o artigo e comentários no seu blog, para daqui a uns três anos a malta recordar.

Esta minha "memória" é dedicada aos heróis da CArt 2763 - Monte das Oliveiras 1971, por José D'Abranches Leitão


Esta minha "memória" é dedicada aos heróis da CArt 2763 !!! 
Monte das Oliveiras 1971. 
Íamos a caminho do Chai...com a ração de combate...como ementa do dia (s)!!! (CCAVª 2752). 
In " Pedaços de memória. ...de rajada!"

A imagem pode conter: texto que diz "Recordo ainda as colunas ate ao Chai, quer protecção ao "alcatrão" abrindo "picada" até Monte das Oliveiras, onde estava celebre "dizimada" CCAÇ 2763. Histórias desta Companhia eram sabidas conhecidas por todos, desde a Capitão, qual nem sequer saía abrigo escavado, fazendo as "necessidades" nas caixas ração combate urinando nas garrafas cerveja, depois eram deitadas fora pelos seus seguranças!!!? Mais tarde contramos panfletos Frelimo, depois do Messalo, onde mencionavam propagandeavam deserção referido Capitão."

NATAL DE 1971 em Macomia... por José D'Abranches Leitão

Desaparecido em combate???
Não! Ainda respiro!
NATAL DE 1971
Tal como tinha prometido ao Duarte Pereira, eis o ataque ao aquartelamento de Macomia- Natal de 1971.



O dia começou com a azáfama habitual, render dos sentinelas, o café com leite com um bocado de "carcaça" que tinha um sabor especial, ainda quente, pois os padeiros quiseram dar-lhe um gosto natalício. 
O meu grupo de combate, para variar, saiu num patrulhamento de rotina. 
O aldeamento, aqui e ali com o fumo característico de fogueiras, o colmo das palhotas tão característico de África. 
 As crianças semi nuas a correrem alegres....o choro dos que andavam colados as costas da mãe, enrolados numa capulana de cores garridas, os seios da mãe descaídos, quando se debruçava para varrer a entrada da palhota! 
A mandioca, o pilão. ...a farinha moída com o "almofariz"...o som do bater do "pau", com as mãos ageis .... Flashs que passados 45 ans ainda retenho na memória. 
Alguns soldados, sentados nos bancos corridos do "pincha", vão lembrando o Natal da sua santa terrinha! 
O bacalhau, as couves, o azeite, as filhoses, as rabanadas, o bolo-rei com a fava, o pão caseiro, a broa, as bolas, tão típicas feitas com sardinha ou bacalhau, que o forneiro fazia, após cada fornada de broa, no forno comunitário da aldeia. 
As prendas, o presépio, com os pequenos bonecos de barro, com o menino Jesus, em destaque....a imaginação de cada um, o musgo, o riacho, as ovelhas...a gruta com o calor do bafo da vaquinha, do burrito...
Enfim o imaginário de cada um, para atenuar um pouco o degredo, a distância, a saudade dos entes queridos, que se reúnem à volta da fogueira na cozinha, para os preparativos da Consoada. 
Ao regressar a meio da tarde...começo a idealizar a noite de Natal. 
Uns ramos de palmeira....a mesa grande de tábuas corridas, as toalhas, as pinturas com motivos natalícios....o centro de mesa....as luzes...os pratos, os guardanapos com um sino de Natal pintado, imaginação do "artista plástico" da Companhia, o Furriel Oliveira....o gira-discos preparado para ouvirmos o Zeca Afonso....os vinis singles que levei...
Os abraços, os desejos de um Feliz Natal, ao camarada que passa por nós, enfim....tudo estava a 'postos para que a Noite de Natal, fosse a "mais familiar" possível. 
 O 1° Sarg Urze com a sua guitarra, já aquece os dedos, com umas variações em ré menor. 
O fado de Lisboa também iria ser cantado à desgarrada! 
E alguns fadistas improvisados...já aqueciam s gargantas!!!
Recordo, que tinha colocado no prato do gira discos um single com o "Menino d'oiro" do Zeca Afonso! Vejo que algumas lágrimas correm pelas faces de alguns! 
Durante a nossas estada na Cruz Alta/Serra do Mapé, consegui que quase toda a Companhia começasse a gostar de Fado de Coimbra, pois mesmo com um gerador a dar o berro, o gira-discos. ...funcionava com os únicos discos que havia...os meus singles de 45 rpm...do Zeca Afonso!
O bacalhau cosido fumegante começa a chegar à mesa ... as batatas cozidas....as couves...os galheteiros...as cervejas distribuem-se ao longo da mesa....e o vinho tinto!!!
As gargalhadas....os sorrisos....de repente são interrompidos pelo silvo característico dos morteiros 60 ou 82....
Estamos a ser atacados! 
O IN quer estragar-nos a ceia de Natal. 
Gera-se alguma confusão. ...alguns escondem-se debaixo da mesa, muita correria. 
A pedido do Capitão Marinho Falcao, conduzimos as mulheres e filhos de alguns oficiais, para o bunker da Casa do Adiministrador de Macomia. 
Após alguns minutos, seriam 15 a 20 minutos do ataque, verificamos que todas as granadas passaram por cima do aquartelamento, e vão explodir no meio do aldeamento! 
Consta-se que haverá mortos entre a população! 
Entretanto chegam a correr o Gouveia e o Carias Mendes, que ficaram no aldeamento para comprarem umas mangas !! (?)....
Mais uma vez, para variar, o 4° Grupo de Combate, sai para patrulhamento, sob as ordens do Major de Operações, vamos até ao Laku. 
O senhor Major queria, via rádio, que fizéssemos uma incursão no vale! 
A noite estava escura como breu! 
Um soldado africano, destemido, mas cauteloso, vai dizendo que será um risco grande pois o IN estará emboscado à nossas espera!
Tinha razão, pois no dia seguinte, verificamos que havia indícios da sua presença e até o rodado de um canhão sem recuo, ainda era visível no capim, para além de termos encontrado um morteiro 60, completamente enterrado no matope!
Depois de mais uma comunicação, via rádio, regressamos ao aquartelamento! 
O bacalhau estava à nossas espera. 
O Gouveia, entre dentes, vai-me sussurrando ao ouvido que apanhou um susto do caraças, pois estava com as calças na mão, a "negociar"...as mangas, quando começou o ataque !!!???? 
O Carias Mendes....ri...a bom rir....mas não ganharam para o susto!
Entretanto a noite vai longa e algumas garrafas de Whisky e muitas Laurentinas, vão "afogando" as mágoas! !!!
Canta-se à desgarrada, com os acordes da guitarra do 1° Sarg, que fez questão de tirar a boina e colocar entre os colarinhos da camisa um lenço. ...de fadista!!!
Por ultimo, o desabafo do Sarj Ajudante Musico, Anjo ( que compôs a letra do hino do Batalhão )
: -Menino (era assim que me tratava)! Estava a ver que já não voltávamos à nossa Coimbra!!!
E o Carlos David (tb de Coimbra) ...associou-se a nós num fraterno abraço! 
Fim
UM FELIZ NATAL PARA TODOS!
Abraço 
José Leitão

Só escrevo sobre a 3509 ???..., por Duarte Pereira

Lá vou eu para o feed de notícias.
Faltava a última parte da odisseia que escrevi sobre a 3509. 
Só escrevo sobre a 3509 ???
SIM, SIM- Na altura não havia a 3510 . 
==========
Abaixo a tenda do comando. 1ª foto
As tendas de terceira geração :) 
Do lado esqº da foto podem ver uma com avançado frontal e lateral e tecto G.T.


Vivendas para graduados. 
Não pagavam I.M.I. :) 
Com canas na lateral para fazer de ar condicionado . :)
Um abrigo para protecção de ? 
Do sol ? 
Só agora é que descobri que estão três cães na foto.
Eu chamava-lhe "Dick". 
Não era só meu, mas eu devo tê-lo ensinado a nadar no Mucojo.



Uma pequena provocação para os " homens do cajado ". 
Como é que as obras poderiam seguir a sua marcha se andavam lá "pastores" do 2º pelotão a tomar conta "daquilo". 
Alguém os consegue identificar ? 
"BIBA VIANA DO CASTELO" :)

Estávamos nós "muito quentinhos" no Alto da Pedreira, ora com as botas engraxadas, com lama ou sujas com poeira.
O posto de transmissões "aqueles chatos" é que nos diziam se teríamos de fazer alguma coisa.
Se dependesse de mim teria fechado o " posto" e ficaríamos lá de "férias". 
Quando nos instalaram lá, a estrada ainda deveria estar um bom bocado para trás. 
Nas chuvas fortes as manilhas em metal saltavam debaixo da estrada e cortavam-na e lá tínhamos de recuar. 
Estávamos num local mais alto que a estrada, logo mais arejado.
Sofríamos muito com o apetite. . 
Acho que a maior parte das refeições eram à base de guisados. 
Começava a dar o cheiro e a malta a ficar inquieta. 
Quase que era precisa a polícia de intervenção.
Quando da nossa passagem no aldeamento de Nambine já se preparavam novas estratégias para vigiar a estrada. 
Reparem na G-3 no braço direito. 
Constavam que as bicicletas não accionariam as minas anti carro. 
Quem será o ex militar ? 
"BIBA VIANA DO CASTELO" :)
Confesso que sempre tivemos a máxima confiança nas transmissões. 
Havia alguém em Macomia que estava 24 H atento.
24 sobre 24 H a beber café a apoiar os seus homens de transmissões. 
Eu disse café ? 
Desculpem.
O que se podia fazer no Alto da Pedreira com este quadro.? 
A única hipótese era rezar.
Inspirei-me na missa da Pedreira onde não estive presente. 
O vinho do padre poderia ter desaparecido :) .
Havia uma rampa com uma inclinação considerável que dava à estrada.
Para a direita era Macomia, para a esquerda Mucojo. 
Podia na altura ter-me lembrado de pôr umas setas, para a malta não se enganar.
Em direcção ao Mucojo o terreno deixava de ser "matoposo" de matope e começava a ficar arenoso e mais compacto.
No caminho havia o aldeamento do Cha-la-laga, ou parecido.
Na altura das mangas maduras era só subir para a Berliet. 
Nunca dei por reclamações dos habitantes. 
Comendo algumas e a barriga começava a agitar-se. 
Como nunca tinha havido minas naquele percurso era sempre a abrir. 
A mata ia-se afastando e havia mais visibilidade, aparentando segurança. 
Lá apareciam os coqueiros, palmeiras e outras árvores que não me recordo o nome. 
Alguém pensava que estávamos em guerra?
Moral da história.
Um convite para haver " desenfianços ".



A praia estava à nossa espera. ( PODERÁ CONTINUAR).....
SERIA A EXPRESSÃO DAS GIRAFAS SE LÁ ANDASSEM :)
Como alguns de vós deverão saber, tive duas "guerras". 
A de 1972 e a de 1973 até Março de 1974.
Seria injusto da minha parte não partilhar estas narrativas com mais ex combatentes da minha companhia. 
1972 - 4º pelotão com o comando do Américo Coelho (amado por todos). 
Com a minha patente, o Fernando Lourenço (amado por uns, odiado por outros) :) 
Eu? 
Os outros que respondam :) 
O Américo Coelho com a sua responsabilidade das bases, quando não andávamos em operações ou colunas. 
O Fernando Lourenço e eu, mais nas " voltinhas". 
Curiosidade: Nunca vi uma foto do Americo Coelho no Mucojo. 
Os soldados? 
Paciência sem limites para com os seus graduados. :) 
Pensava para comigo. 
Isto de ser comandante de uma base tem muita burocracia. 
O Americo Coelho escrevia de dia e de noite até adormecer. 
Mais tarde descobri que eram aerogramas para a sua noiva, e depois mulher, quando ele ainda estava na Pedreira, residente em Coimbra :)
1973? 
Fica para o próximo artigo. ( PODERÁ CONTINUAR).

OS INSURRECTOS
Tudo se deve ter passado em 1973.
Quem em Macomia, "mijava fora do penico", ou era embrulhado em "papel azul", ou por ordem do Alvega, seguia deportado para o Alto da Pedreira, por um período de 15 dias (pelo menos).
Alguém na base devia incluí-los nos serviços de protecção, patrulhamentos e escalados para a vigilância nocturna. 
Só me lembro do Américo Condeço, que falou noutro ex-militar que não me recordo de o ver por lá. (mas eu também fui de férias).
Mas... houve um "castigado" que marcou a gastronomia dos graduados.
O 1º Sargento Silva, que diziam que tinha alguns "dotes", mas de culinária percebia ele e com condimentos indianos.
Levou um malão de madeira cheio de especiarias.(ÍNDIA). 
O prato que nunca esqueci. 
Ovos escalfados com ervilhas e não me lembro se teria uns pedaços de carne.
O Fernando Lourenço, já tinha falado em cabrito, que estava uma especialidade que não me recordo. Deve ter feito, javali, gazela, galinha de mato, galinha normal e peixe fresco de várias maneiras, mas só os ovos escalfados me ficaram guardados na memória.
Por que deve ter sido em 1973. 
A "vivenda" dos graduados já estaria construída. 
Era no alpendre que o restaurante estava montado.
Foi também nesse ano que a Berliet se ia "afogando" no mar do Mucojo e o Américo Condeço chegou a dar mergulhos de cima da mesma, para dentro de água. 
Lembro-me de recebermos outras "altas entidades de Macomia. 
Só poderiam sair com o capitão. 
Enfermeiro e transmissões. 
Se o capitão estava de baixa, lá devem ter aparecido "desenfiados". 
Refiro-me ao Horácio Cunha , João Novo e (António Encarnação.)
Está quase a acabar esta longa narrativa de parte que me lembro da vida da 3509 e nem sequer vou falar o que andámos a fazer no Mucojo nesses mais de dois anos.
No último texto irei pôr por perto o vídeo do Fernando Lourenço, único documento filmado para aqueles lados.
(VÃO ESTANDO ATENTOS- EU SÓ APAREÇO NA ÚLTIMA IMAGEM A TENTAR AGARRAR NUMA CABRA OU CABRITO). 
Grande "amigo", o Fernando Lourenço :) 
(NÃO ME LEMBRO ONDE ARQUIVEI O VÍDEO OU O FILME).

NOTA FINAL: Alguém da 3509 que eventualmente passe por aqui, agradeço que me informem se o Fernando Anjos da secretaria também terá passado por aqueles lados. Obg.
Em fins de 1972 fui "despedido" do 4º pelotão, devo ter tido parecer positivo do Américo Coelho. :) 




O Fernando Lourenço, uns tempos depois, foi com uma secção dar formação e comandar uma base de milícias no Mucojo. 
Comandante em Chefe do Exército Português naquele paraíso. :) 
Nota- Mas parece que nem tudo foram rosas. 
O 4º pelotão não mais deverá ter sido o mesmo .
A mim "ofereceram-me" o 3º pelotão que estava sob a responsabilidade do saudoso José Augusto Madeira.
Se fiquei feliz? 
"Muito"! 
Já podia mandar os alferes à "merda" sem ter uma participação. :)
Tudo corria nos "conformes" até Setembro, altura em que "caiu" no pelotão o Manuel Cabral, em rendição individual. 
Como em Macomia não dormia no quartel e o Manuel Cabral, ainda não estava integrado, "alinhávamos" os dois nessas folgas. 
O Madeira continuava com o seu núcleo de amigos dentro do quartel.


Íamos a caminho da Mataca..., por José D'Abranches Leitão

José D'Abranches Leitão 
19/07/2020
Mais uma...
Aconteceu no dia 21 Janeiro de 71. Íamos a caminho da Mataca, numa coluna de abastecimentos, era cerca do meio-dia. 
Já tínhamos picado, debaixo de um sol tórrido, e o Gouveia com o seu "olho de lince" ia na frente, do lado direito da picada, do outro lado o Cabo Abel, com o diagrama na G3 ( Só os cabos usavam os dilagramas.(?)


A coluna avança lentamente e percorridos cerca de 500 metros, numa longa recta, já no Alto do Delepa, o Gouveia deteta um vulto no capim, a 2 a 3 metros da picada. 
Tem uma Kakashi na mão. 
Atrapalhado, o IN, levanta-se e tenta fugir! 
O Abel dispara o dilagrama, mas a granada cai a 4 ou 5 metros à frente, ainda agarrada ao dilagrama que fica enterrado na vertical no matope. 
Tinha chovido muito durante a noite. 
Branco como a cal, o Abel, fica imobilizado e tenta explicar, que a bala que tinha no carregador era a indicada. 
Mas a gaguez, começou nesse dia, a ser a forma de comunicação oral do Abel. 
Mais uma vez, aparece o FMil José Bento, que com toda a calma, vai buscar o diagrama. 
Agarra a granada, e a cavilha. 
Fazendo um gesto para que todos se deitem, atira a granada para bem longe. 
Passados uns largos segundos, ela explode! 
Respiramos fundo. 
O 2 GC, faz uma incursão na mata, e verifica vestígios de que seriam 3 a 4 guerrilheiros, que estariam prontos para fazerem a emboscada. 
Fugiram como ratos, cada um para seu lado. 
Daqui para a frente as cautelas foram redobradas, até avistarmos o GC da 2750, que vinha ao nosso encontro.
Já na Mataca, e ainda muito traumatizado, o Abel tenta explicar "que...que ...que eu vi aqueles olh...olho...olhos gran...grandes a olharem para ...para mim, me ...meu Furriel!!! Só... só se viam...os den...dentes bran... bran...brancos....me meu Furriel!!!
Mais um dia em que a CCav 2752 é poupada!!!
Cont.
José Leitão
CCav 2752

In " Pedaços de memória ...de rajada"
Nota: Como funcionava o "diagrama":
Retirada a cavilha da granada, a alavanca de segurança ficava presa pelo retentor. 
Quando se premia o gatilho da arma e o cartucho era percutido, a acção de gases que se seguia impulsionava o conjunto, lançando-o pelo ar e pela acção da inércia o grampo de armar recuava, partindo o retentor, soltando-se, então, a alavanca de segurança da granada, iniciando-se a combustão do misto retardador e consequentemente a explosão, com fragmentação de todo o conjunto.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Um Cantil de água por dia!..., por José D'Abranches Leitão

Um Cantil de água por dia!
Recordo os meses de 1971 em Macomia
Roleta russa, era assim que apelidávamos a Picada Macomia-Chai, mais uma coluna militar para proteção do alcatroamento e abastecimento de um pelotão da Companhia que estava na proteção da Ponte do Messalo.

Chegando ao Monte dos Oliveiras.
Bíblico o nome, mas estamos numa "zona de morte"!
Temos conhecimento de muitas baixas! As minas e os fornilhos, mesmo já com a picada alcatroada são maning!

O meu grupo avança apeado, debaixo de um sol tórrido. 
O meu cantil de água já está com pouco mais de um dedal de água.

O preço do "dedal", tampa do cantil, é de 100 escudos!
Alguns soldados fazem negócio. 
Ninguém leva dinheiro! 
Mas "a palavra dada, palavra honrada"!
No regresso acerto contas!

A minha secção avança de pica (vassoura) na mão, uns de um lado da picada, outros no trilho do lado contrário. Pé ante pé para não acordarmos a morte, que dormia debaixo do alcatrão.
A progressão é muito lenta. 
Nenhum palmo da picada escapa aos "picadores". 
Começámos a marcha mal o dia nascia. 
As viaturas, incluindo as AML Panhard 60, do ECav1, avançam a velocidade lenta, e de vez em quando fazemos uma paragem, para que os motores arrefeçam.


Muitos se deitam debaixo das viaturas, tal é a canícula!
30 e muitos quilómetros são feitos em quase 10 horas!?
O sol, o fantástico sol, vai descendo na floresta! Visão fabulosa...que por momentos me faz esquecer a "roleta russa" . 
Avançamos com os olhos postos nas pegadas do companheiro da frente. 
Chegamos ao Monte dos Oliveiras. 

As casernas são feitas de bidões de alcatrão, cobertos por chapas de zinco. 
Ali dorme uma Companhia de Artilharia, já bastante dizimada, pelo infortúnio. 
Restam alguns heróis que estoicamente vão sobrevivendo.

O Furriel Mil Anão da 2763, aparece com umas Laurentinas frescas, que nos oferece. 
Conversamos um pouco! Ofereço-lhe um maço LM, pois os cigarros, tinham acabado...


Muitas evacuações na CArt 2763.
Finalmente o Chai! 
Um pelotão da CCav 2751, faz-nos proteção até à Ponte do Messalo, onde pernoitamos.

No dia seguinte o regresso.
Chegados a Macomia, respiramos fundo!

Mais uma "jornada'!
A morte continua a ser adiada!

/
Cont.

José Leitão
CCav 2752