quinta-feira, 25 de junho de 2020

Percursos de guerra diferenciados!..., por Paulo Lopes


Bom dia pessoal da pesada!


Abri esta coisa ainda antes de tomar banho (abri uma excepção hoje, não por abrir esta coisa mas sim, tomar banho) apenas porque tenho que ir a Lisboa! Abri e dei logo com o Duarte Pereira a provocar e a respectiva resposta!
Agora falo eu: pois é bem verdade: felizmente (para eles) ainda houve pessoal que pouco teve com a vida comum de uns quantos "pategos"! 

Tiveram boas vidas (apesar de eu sempre considerar que, bastava ter sido arrancado das nossa...s terras, para que a coisa já não fosse fácil mas...). 

E lindas terras de Moçambique! 

Azar o meu que só estive na Mataca, mas felizmente, longe dos abutres sanguessugas! 
O resto onde estive, foi de fugaz passagem, pouco deu para apreciar essa beleza que, diga-se e defendendo a minha terra, tenho por aqui lindas coisas!

Viva a minha terra Portugal! 
O país, não os governantes nem uma boa mão cheia de "pescadinhas de cauda nos lábios". 

O resto, bem, o resto é paisagem. 
É bom saber que estamos vivos e como vamos vivendo fora das lutas que, em comum, alguns estiveram. 

Abraço e até mais logo que espera-me a habitual confusão de atravessar a ponte! 
Abreijos.


Bom dia Paulo Lopes . 
Três anos e três meses, com algumas férias pelo meio. Janeiro de 1971, o pior da minha vida. 
Em Santarém tentaram-me dar a volta à cabeça, (ofensas pessoais, à família, namoradas e mais ). Deram cabo do meu corpo e ofereceram-me M....., para comer. 
Nos primeiros 15 dias não saímos das paredes do destacamento e só consegui ver a rua, porque passei pela secretaria e consegui olhar por uma janela. 
A partir daí só podia melhorar. 
Ao fim da recruta, começaram a dar comida de gente, mas ainda éramos tratados abaixo de cão. 
Até ser mobilizado a minha vida melhorou um pouco, mas o corpo não tinha descanso. 
Em Moçambique tudo mudou. 
Tirando o mês da operação da Serra do Mapé, levei uma vida estável com poucos sustos. 
Fui colocado relativamente perto do mar e lá passei uns tempos felizes.
Criei poucas, mas verdadeiras amizades.

Amigo Paulo Lopes, a nossa guerra nunca fui igual para todos,. nem tinha que ser porque todos eram necessários, cada um com sua função,. mas depois destes anos todos muitos ainda não se aperceberam disso,...

Vamos lá alimentar esta guerrilha
Lá em Cabo Delgado, tivemos vidas diferentes e com exigências diferentes. 
Mas o mais importante, na minha opinião, terá sido a forma como cada um de nós encarou aquele período.
Nunca me queixei, por respeito a quem passou verdadeiramente mal e, portanto fui apagando o menos bom até sobrar, apenas, o que me agradou. 
Tenho boas recordações e talvez tenha aprendido a relativizar o que é mau.
Apesar disto, aceito quem ficou fixado ao que foi mau e quem se sente, ainda hoje, muito afectado por aquele período. 
Aceito quem gosta de descrever os seus maus momentos, como se a vida tivesse parado lá. 
Aceito que haja escolhas de más recordações em detrimento das boas.
A guerra colonial já é história e nós somos os últimos sobreviventes. 
As novas gerações, quer em Portugal, quer nos países emergentes, já nada sabem do que se passou. Nem querem saber. 
E eu respeito.
O facto de haver um elemento que não se envolve nesta página não é, para mim, motivo de qualquer crítica. 
Isso é um exercício de legítima liberdade.
O Jorge Costa era uma pessoa afável e cordata. 
Era sociável, mantendo uma maior proximidade, apenas com alguns. 
E isto não era nenhum defeito. 
Era uma maneira de ser.
Se este quase meio século que passou, lhe permitiu refinar as suas características, estará mais afável, mais cordato e mais selectivo. 
Com todo o direito.
E se está mais selectivo, talvez não queira perder tempo de forma inútil ou com pessoas que nunca conheceu verdadeiramente. 
Convivíamos com pessoas com muito poucas afinidades e, mesmo agora, para muitos, só há em comum um "3878". Que não é muito.
Ele referiu que está a trabalhar e eu traduzi, mentalmente, para "está a viver" e compreendi muito bem esta mensagem.
Tamojuntos.

Descobri "outra verdade".
SABEM O QUE É A MEIA IDADE?
QUANDO O TRABALHO JÁ NÃO DÁ PRAZER...
E O PRAZER JÁ DÁ TRABALHO !!!

Fiquei confuso porque o trabalho ainda me dá prazer mas há prazeres que já me dão trabalho.

Encarnação - Algum de nós já se sente na meia idade ?

Eu acho que já passei, há muito, a meia idade. 
67 anos é mesmo muito e tenho consciência que é a minha recta final, mas tenho conseguido ser teimoso, continuando a fazer o que quer que seja que me apeteça. 
Vou lutando contra a tradição de parar e de ficar em modo reformado. 
Faço 800 km num dia e fico derreado, levanto-me às 4 para voar de balão e fico de rastos, trabalho num processo até de madrugada, mas dou muitas cabeçadas no teclado, saio de barco com os cães e por lá ando durante um dia inteiro e às vezes, pela noite dentro. 
Mas como e bebo e divirto-me para compensar. 
Quando, há dias, comprei umas botas de caminhada, percebi que estou mesmo louco, porque ignorei as pantufas, que até eram giras. 
E mais baratas.

Amigos lamento toda esta celeuma por um comentário infeliz. 
Não conheço a maior parte dos camaradas, mas sempre tive o máximo respeito por todos quer fosse operacional, aramista ou "protegido". 
As lindas paisagens de Moçambique estão e estarão até que vá gravadas no meu corpo. 
Espero que a sã camaradagem não esmoreça...

Rui Briote - Os comentários infelizes, trazem por vezes , textos felizes.

Mas ofendem quem sentiu na pele a guerra, pois além de me acontecer o que aconteceu vi mortes e feridos à frente dos meus olhos. 
Nunca andei em Macomia a saborear as delícias das cantinas que por lá existiam

Amigo Briote, como eu te compreendo. Abraço.

Andei mais tempo pelas cantinas de Macomia e pelas cervejarias de Pemba (soma meses, esses intervalos).
Quanto a maus períodos no mato da Mataca - quase que rondou o zero.
Resta os meus dois primeiros regressos de Macomia e todo o trabalho que a picada dava, principalmente na altura das chuvas.
Fiz colunas, sem problemas na picada e sem transparecer para quem me acompanhava que eu esperava da parte da Frelimo um intervalo.

Serra do Mapé. ...um "buraco" algures no norte de Mocambique!..., por José D'Abranches Leitão

Memórias...
As primeiras, escritas num "diário"...que ao final de cada dia, ia guardando ...
Memória...
Serra do Mapé. ...um "buraco" algures no norte de Moçambique.
Difícil? ! !!! Não se apagará no meu "disco rígido "!
E já lá vão 49 anos!!!!
Antes que...se faça tarde!!!
Escrevo.
Recordo...



Em cada dia que os dramas nos afectam aumentam as nossas carências de afectos, mas cresce também a cumplicidade para enfrentar as dificuldades. 
A solidariedade cresce na medida em que os esforços individuais dão lugar ao esforço colectivo. 
À distância do fulcro da confusão, ninguém entenderá as carências vividas no meio da guerra. 
E quanto maiores forem os tormentos, maior será a solidariedade. 
Só quem não conhecer os horrores provocados pela guerra poderá pensar que ela tem alguma coisa de atractivo, salvo as bestas que a fomentam!

Os outros, de marmita na mão, olham-se amargurados pela evacuação do Furriel Mil Vellasco Martins, vitima de uma mina anti-pessoal, perto do morro da "Tentativa".

Estávamos apenas à 21 dias na "guerra"!!!!!

- Serei o próximo?
Quando soa a tampa do panelão, que o cozinheiro Rolim Rosa faz ecoar chamando para o rancho, percebemos que estamos aprisionados entre o infinito das matas e a lonjura da civilização. 
Amarrados ao isolamento, sobra tempo para pensar, pensar... pensar em quê? 
A vida dentro do arame farpado, torna-se tão abstracta que nem os pensamentos têm sentido. 
O espaço exterior assusta, pela imensidão da mata imemorável! 

Ao cair da noite, uma espécie de cortina de breu deixa toda a gente amarrada aos temores das granadas de morteiro com trajectórias orientadas para o massacre. 
Ninguém sabe qual é a matriz da morte na ponta da espoleta. 
Para evitar que sejamos comidos pelos ratos, que são às centenas, vindos da mata e percorrem a vala comum, procurando os restos de uma ração de combate ou mesmo um bocado de pão esquecido no abrigo.... ao final do dia são acesas, à volta do arame farpado, umas lanternas improvisadas, numas garrafas de cervejas....com uma mecha embebida em petróleo. 
Assim o "alvo" é óptimo para qualquer atirador!!!!?

É assim que vamos tentando equilibrar os ânimos. 
Amargurados pelo sofrimento em condições hostis, abandonados no isolamento daquele inferno chamado Serra do Mapé, desvanecem-se as motivações para continuar uma guerra que não tem fim à vista!

Só ao alvorecer, o sol anuncia o fim deste embrutecimento, quando se dissipam os medos suscitados pelo fluxo das "obusadas" matinais. 

Sem rendilhados, movemo-nos devagar, descomprimindo os nervos para que o sangue circule com mais vigor e limpe os restos do pânico provocados pelos ruídos da noite, que acordam os fantasmas imaginados, que evocam o terror do inferno.


Como é que vamos resgatar o tempo assim perdido entre o céu e o inferno, sem esperança no futuro próximo?

Serra do Mapé - Norte de Moçambique - Setembro de 1970.
Jose Leitão
CCav 2752
Nota: recordo hoje todos os pormenores daquela "saga" !

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A companhia 3509 era a última do batalhão de cavalaria 3878..., por Duarte Pereira


Duarte Pereira


As "Histórias da História"

A companhia 3509 era a última do batalhão de cavalaria 3878.
Cabo Delgado-Moçambique 1972/74.
 
"Levou" com o mais competente sr Capitão. DAAAAA !!!

Uns tempos depois ficou sem os srs alferes do 2º e 3º pelotões....

Depois saiu o sr alferes do 1º pelotão, graduado em capitão, que foi comandar uma companhia por ali perto.

Por sorte ficou com o sr alferes do 4º pelotão ,sr Americo Coelho, onde o sr furriel Duarte Pereira e sr furriel Fernando Lourenço, tiveram muita honra em pertencer.

Os que mais andaram pela mata sabem, que os srs alferes eram os "pastores" e os srs furriéis eram os "cães de guarda".
Os "cães" sem "pastores" começaram a sentir uma certa "liberdade", pensando que poderiam voltar às suas "origens- LOBOS". 
Os "lobos" não gostam de "cativeiro". 

Assim muitas vezes saíram do arame farpado, para bater o território e procurar novas fontes de alimentação.

Esta será uma pequena história que o Sr Duarte guarda na sua memória daqueles tempos.

domingo, 21 de junho de 2020

Não esquecer que ia o vago-mestre..., por Armando Guterres

As altas esferas de Macomia obrigaram-nos a fazer uma coluna de reabastecimento, apesar de se ter argumentado que nessa altura não necessitarmos. 



Como era o mais velho levei o vago-mestre acoplado. 
A viagem foi muito boa, até fui ajudar os picas (para aquilo andar mais depressa). 

Não esquecer que ia o vago-mestre. 
Ao chegarmos às machambas de Macomia, fizemos a sesta. 
Não fosse o major pensar que era sempre assim. 

No dia seguinte, a volta. 
O primeiro unimog carregado até aos taipais e nem mais uma caixa. 
O segundo 411 até aos taipais, bem carregado. 
O terceiro carro para variar, igual aos outros. 
A quarta viatura não levava batatas ou arroz ou feijão ou combustíveis ou munições ou ou ou ... 

Aí vai o pessoal de retorno à Mataca. 

Na base da serra um contratempo - apesar de todos os cuidados, umas caixas de Laurentina perderam as caricas. 
Fiz as contas dava a média de 48 garrafas a cada homem. 

Chegados ao aquartelamento enquanto o vago-mestre tratou das cervejas ... fui ao bar beber uma das antigas, mas fresquinha. 
Depois do banho ... peguei em duas caixas e fui à minha secção - uma para mim a outra para eles. Continuação na 2.º e na 3.º e seguiu-se outros abrigos. 
Em 48 horas acabou a cerveja. 
Dei uma ajudazinha (em 48 horas estive a beber umas quarenta).


Quanto às colunas com reabastecimento a meio. 
Fiz mais que uma, mas ao comando foram sempre completas.

Na altura em que destruíram a ponte maior, as colunas foram a Macomia. 
Os sapadores foram lá ver e retiram uma granada de mão (a única que dei conta de terem utilizado no nosso tempo). 
Para lá chegar passaram pelo Alto do Delepa e não chegaram à ponte pequena.


Um esclarecimento
Para eu ser o Comandante Operacional da Mataca era porque o segundo e terceiro pelotão estavam fora - mato ou coluna. 

A presença do comandante ou do major ... nada alterava. ... pois as colunas nunca foram feitas assim ... algumas operações sim.

João Farto - Isso era do calor e do cacimbo da Mataca.

Julio Bernardo - Guterres,a coluna Macomia=Mataca ou contrário, não eram feitas meias=meias?.
Eu fiz algumas com os picas na frente até vosso encontro a meio caminho.
Entrega reabastecimento meia volta e agora sem picar, fazer rapidamente chegada a Macomia.
Nestas colunas me lembro sempre muitos civis.

Paulo Lopes - No meu tempo, apenas uma coluna foi feita nos termos em que falas Julio Bernardo. Todas as outras foram Mataca-Macomia-Mataca.

João Farto - Eu como mais velho vos digo eram no meu tempo (C.CAÇ 2555) eram feitas das duas formas.
O encontro era na terra do Guterres, Delepa.

Paulo Lopes - E foi exactamente no Delepa (e creio que por causa das pontes estarem destruídas) que efectuei a única coluna a metade. 
Mas não quer dizer que não se tenham feito outras no meu tempo. 
Estou a falar individualmente: eu so fiz uma!

Julio Bernardo - Então é isso, eu fiz mais de que uma, o tal sítio Delepa por causa das pontes e quantidade de civis que iam em cada espaço disponível lembro.

Duarte Pereira Armando Guterres - Eu consegui ler tudo. Na minha guerra parecia tudo mais organizado

Duarte Pereira Esse unimog foi onde o Margarido foi ver os passarinhos ?

Armando Guterres Coloquei esta foto da ponte conjuntamente com a da viatura.
Por ter sido teclado um "gosto" ficou isolada e sem contexto.
Apaguei-a e reproduzi o comentário do Duarte Pereira.

Armando Guterres Esta viatura é deu o curso de para-quedista a alguns matacanhos.
Noutra altura, estava nesta posição, uma outra, talvez a que tenha partido o motor ou a caixa, numa ida à lenha - desculpem, foi na coluna seguinte ... segundo os relatórios.

Duarte Pereira Parece que na Mataca os estrados dos unimog eram em madeira, que em caso de mina rebentada duplicaria os estilhaços.

Duarte Pereira Estou a ficar sem bateria. Até lá mais para a tarde.

José Guedes Nunca imaginei o amigo Guterres a beber assim tanta cerveja numa noite,. depois reparei e ainda bem que assim é,. está com uma boa memória porque ele diz as datas dos acontecimentos, a não ser que tenha um diário feito na altura,.. agora colunas ao alto de Delepa até eu fiz mais que uma, mas não sei quantas e de certeza que não estive em todas que foram precisas lá fazer,. não era fácil atravessar aquele pedaço de picada, se os turras fossem inteligentes naquele fundo era mos apanhados há mão,...

Jose Capitao Pardal Eles inteligentes eram...

Duarte Pereira Andavam mais para os vossos lados porque vocês estavam mais perto dos "formigueiros".

Armando Guterres Eu sabia onde estavam os nossos formigueiros ... por isso, 90% das operações foram para o outro lado.

Gilberto Pereira Foi tudo uma brincadeira do caraças e assim se perdeu uma guerra

Armando Guterres Cuidado ... eu não brinquei ... levei tudo a sério 
O meu sério nada tinha a ver com o sério deles
Isso seria outros quinhentos

Duarte Pereira Era a lei da selva para eles e do rabo apertado para nós .

Armando Guterres talvez não seja dessa opinião ... pelo menos na zona da Mataca.

José Coelho Apesar de estarem muito quentes, mesmo assim ainda bebi algumas para matar a maldita sede ! só não bebi mais porque o comandante da coluna não deixou .

Joao Cerqueira José Coelho ve-se que pertencias a uma boa equipa.

O "DICK"..., por Duarte Pereira

Duarte Pereira
05/03/2014

SIM. O "DICK" NA MINHA OPINIÃO TEM DIREITO À GALERIA DE FOTOS. 

DEVE TER NASCIDO EM MEADOS DE 1973. 
EU JÁ TINHA SAÍDO HÁ UNS SEIS MESES DO 4º PELOTÃO E ESTAVA NO 3º. 
O MADEIRA, ERA UM TIPO PORREIRO, MAS DE POUCAS PALAVRAS.
TINHA O SEU GRUPO DE MALTA DE 1972 E NUNCA FOMOS DE GRANDES PROXIMIDADES OU INTIMIDADES. 
ELE FAZIA A SUA VIDA E EU A MINHA. 
ALINHOU OU ALINHÁMOS EM TODAS AS "OPERAÇÕES" CLANDESTINAS PARA O MUCOJO, HÁBITO QUE EU JÁ TINHA ADQUIRIDO NO 4º PELOTÃO. 

NÃO SEI SE PODEREI DIZER ISTO, MAS TENTAREI DE UMA FORMA SUBTIL. 
ELE GOSTAVA MUITO DE UM SER "CRIADO PELA NATUREZA, DEPOIS DA EVA" . 
O FERNANDO LOURENÇO DEVE TER CONHECIDO MAL O "DICK". 
DIZIA QUE O MAJOR NÃO O GRAMAVA E FOI ENVIADO PARA O MUCOJO COM UMA SECÇÃO. 

NÃO HÁ FOTOS PARA O DEMONSTRAR (É CAPAZ DE HAVER), MAS ALÉM DA PRAIA E "DIVERSÕES", TAMBÉM APANHOU OPERAÇÕES COM FERIDOS. 
SUBSTITUÍ O FERNANDO LOURENÇO PELO "DICK" E FIQUEI A GANHAR, ´DÓCIL, SUBMISSO, SIMPÁTICO, MEU AMIGO. 
OS CÃES FORAM A NOSSA SEGURANÇA, EM ESPECIAL NO ALTO DA PEDREIRA, CONTRA ANIMAIS VISITANTES E OUTROS COM AS MESMAS INTENÇÕES. 

O "DICK", PROCUREI QUE FOSSE FELIZ, NÃO PRECISAVA DE BEBER CERVEJA OU OUTROS LÍQUIDOS PARA APANHAR "CADELAS". 
BOA COMIDA. BOA COMPANHIA E MUITO SEXO. 
ESTATUTO QUE NÓS NÃO TíNHAMOS. 


NÃO POSSO DEIXAR DE FALAR NESTE ARTIGO DO AMÉRICO COELHO. 
CHEFE DOS DESTACAMENTO. 
A TENDA CHEIA DE "BICS", AEROGRAMAS DE RESERVA. 
GOSTO DO (PUTO) PORQUE COM O RISCO DA SUA RESPONSABILIDADE DEU AOS SEUS DOIS "FURRAS" A LIBERDADE PARA EXPLORAR O "TERRENO" À SUA MANEIRA.
INFELIZMENTE, EU E O FERNANDO LOURENÇO NÃO GOSTÁVAMOS MUITO DE "TERRENO", MAS SIM DE AREIA E ÁGUA SALGADA. 
NÃO COMENTO O CABRAL, "PRENDA" QUE APARECEU EM 1973, OUTRA GERAÇÃO.

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Um artigo ao arquivo do sr. Duarte "a G3"..., por Duarte Pereira

Como isto hoje anda um bocado fraco, fomos buscar um artigo ao arquivo do sr. Duarte. (É repetido, mas poucos se recordarão). 
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NOTA PRÉVIA.

ESTE ARTIGO " A G-3", NÃO É PARA TENTAR DIMINUIR OS OUTROS EX- COMBATENTES, QUE LUTAVAM COM OUTRAS ARMAS PARA O BEM COMUM....

UNS ESTARIAM MAIS EXPOSTOS.
PODERÁ TER SIDO O "DESTINO", OS QUE, ACREDITAM E ACREDITARAM NELE, QUE TERÁ MUDADO AS NOSSAS VIDAS.


 
A MINHA G-3
EM SANTARÉM ANDAVA COM UMA G-3 QUE PASSOU MAL.
CHUVA, ESGOTOS, RIACHOS, POEIRA,CALOR DE VERÃO.

DISSERAM-ME QUE A G-3 TERIA DE SER TRATADA COMO UMA MULHER. 
HAVIA INSPECÇÕES PERMANENTES À SUA MANUTENÇÃO. 
MUITO ÓLEO E ESCOVILHÕES PASSARAM POR ELA.

A QUE ME FOI DISTRIBUÍDA NUNCA RECUSOU UM TIRO.

FUI MOBILIZADO. 
NÃO SEI SE LEVEI A MESMA. 
ERA VELHINHA. 
JÁ DEVERIA TER FEITO UMAS COMISSÕES. 

EM SANTA MARGARIDA OU JÁ EM MOÇAMBIQUE FIZ UM CONCURSO DE TIRO AO ALVO.
CLARO QUE GANHEI. 
FIQUEI EM TERCEIRO. GANHOU O AMÉRICO COELHO QUE JÁ USAVA ÓCULOS. 
EM SEGUNDO O FERNANDO LOURENÇO. 
A CORONHA DA G-3 DO AMÉRICO COELHO ACHO QUE ERA PRETA.

EM MOÇAMBIQUE CONTINUEI A TRATÁ-LA COM CARINHO, ASSIM COMO AS MINHAS BOTAS.
NOS LONGOS DIAS DA OPERAÇÃO DA SERRA DO MAPÉ, CHEGUEI AO FIM COM CANSAÇO MAS OS PÉS ESTAVAM BEM.

SEMPRE INCUTI NOS SOLDADOS A MEU CARGO A MINHA EXPERIÊNCIA. 
MUDEM OU NÃO MUDEM DE CUECAS. 
TENHAM CARINHO COM A VOSSA ARMA.

ANDAVA TRISTE COM O MEU 3º LUGAR NO CONCURSO DE TIRO AO ALVO.

A CONSTRUÇÃO DA ESTRADA MACOMIA /MUCOJO ABRIA CLAREIRAS DONDE TIRAVAM A TERRA PARA A NOVA ESTRADA.
NÃO ME LEMBRO, MAS DE TRÊS EM TRÊS MESES RENOVÁVAMOS AS MUNIÇÕES DOS CARREGADORES.
AVISÁVAMOS MACOMIA QUE IRÍAMOS FAZER FOGO.

UM DIA SOZINHO "COMO EU ERA CORAJOSO" FUI PARA O ALTO DE UMA TERRAPLANAGEM E COLOQUEI UMAS LATAS DE CERVEJA LÁ NO MEIO.
NÃO POSSO CONFIRMAR SE ERAM 50 M. 100 M OU MAIS.
COLOQUEI A ALÇA DE TIRO NO BURAQUINHO DOIS. 
FIQUEI FELIZ. 
AS LATAS VOAVAM. 
PODIA ATÉ NÃO ACERTAR. COM O IMPACTO NA TERRA, ELAS ABANAVAM E CAIAM. 

O MEU AMOR PRÓPRIO TINHA VOLTADO DEPOIS DAQUELE VEXAME DO CONCURSO DE TIRO. 

QUANDO ENTREGUEI A G-3 NA BEIRA, TIVE DE A ATIRAR PARA UMA MOLHADA. CONFESSO QUE NA ALTURA NÃO CHOREI E NEM SEQUER FIQUEI COMOVIDO. 
MAS É O QUE ME ACONTECE AGORA QUANDO LEMBRO AQUELA CENA.
NÃO SEI SE ELA ME DEFENDEU? EU DEFENDI-A. 

ALGUÉM QUE A SEGUIR A MIM A APANHASSE PODERIA TER A CERTEZA QUE ESTARIA EM BOAS CONDIÇÕES. 
NÃO FOI UM " DIVÓRCIO", GOSTARIA DE A TER TRAZIDO PARA CASA E FICAR AO LADO DE UM STICK DE HÓQUEI QUE GUARDO RELIGIOSAMENTE.

VOU COM ESSE STICK À PORTA QUANDO ALGUÉM BATE A PARTIR DA 1 H DA MANHÃ.

MORAL DA HISTÓRIA - PROCUREM TRATAR BEM DOS QUE POSSAM VIR A DEPENDER.