sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Resposta à Confissão, por Paulo Lopes

 
Paulo Lopes

Duarte Pereira
Continua amigo.
Estou a gostar que dês ao dedo, espremendo os neurónios adormecidos, ainda com a adição de estares a gostar.
Por mim, tens leitor e, como é de meu apanágio, resposta em estilo de comentário.

Começando de baixo para cima:
Também tenho guardados esses dois trapos verdes com três fachas douradas em bico (ainda de fundo dobrado para que ficassem mais pequenas) e o crachá de plástico "perguntai ao inimigo quem somos" (perguntei-lhes mas eles, como mal educados que eram, não me responderam).

Curiosamente está tudo guardado numa gaveta juntamente com as medalhas do andebol!

Quanto ao resto é a história profunda do fundo da nossa história dos primeiros seis meses de "guerrilheiros" de cá e de além mar.
Depois, talvez tenha sido diferente os contos e o destino de cada um.
No meu caso, tirando os "crosses" matinais, a ginástica e de vez enquanto uma ou outra instrução nocturna de combate (como se algum de nós percebesse alguma coisa do que aquilo era) ia-me baldando conforme podia a dar instrução valendo-me para tal os treinos de futebol de 5, desporto pelo qual era guarda-redes dos sargentos do quartel de Beja, onde estávamos inseridos no respectivo campeonato militar. (Cheguei até à final mas já não a disputei por ter sido mobilizado mas constou-me que foram campeões).

Durante miúdo (que sempre fui) tocava (???) viola nos vãos de escadas e em casa de amigos quando os pais não estavam; jogava à bola na rua, fugia à polícia (mais por receio de, à noite, se fosse apanhado pelo bófia, levar no focinho do meu pai), não ia à chinchada em Lisboa mas fazia-o em Castelo Branco, terra onde ia passar as minhas férias escolares (3 meses).

Fazia tudo isso e mais um par de botas, menos o que deveria fazer: estudar!
Mas, aos 14 anos, acabou-se a brincadeira e começou o trabalho diário e a escola noturna!

Tropa!!! No ultramar??? Fugi ao que pude e comandei o menos possível (só não consegui bater aos pontos o nosso querido Guterres).

Mas todo esse tempo do antes e depois, já tu leste em algumas passagens do que escrevi.
E agora diz lá tu que o que escreveste já ia longo!

Escreve amigo. Escreve muito e muito, porque o muito será sempre pouco.
Um abraço e espero mais.