sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Uma história do Fernando Lourenço, por Duarte Pereira

Diz o Duarte Pereira:
 
O FERNANDO LOURENÇO COMENTOU
SEI QUE TEM ANDADO MUITO OCUPADO, MAS DE VEZ EM QUANDO COLABORA MAIS. (SÃO OUTRAS HISTÓRAS )

Fernando Lourenço, comentou:
 
Muitos dos que passaram estes tempos menos bons das nossas vidas só agora passado muito tempo começam a falar do que passaram.
Outros começaram a falar bem cedo contando historias que a imaginação lhes ditavam.
Não creio que nós, apesar de maus, não foram dos piores.
Houve quem passasse muito pior.
O que o Horácio Cunha aqui relata posso corroborar.
 
Tem algumas lacunas menores que a memória o atraiçoou: Aates de Nambine é correto que montamos não um mas dois acampamentos e não era em nenhum aldeamento.
Foram de poucas semanas, dormíamos no chão e os alojamentos eram em tendas militares.
Em Nambine ficámos alguns meses e só depois é que nos fixamos no Alto da Pedreira.
 
Em relação á bebedeira comatosa tenho bem presente como foi e em que dia.
Passo a contar a história apresentando desde já as desc...ulpas por este texto ficar longo mas vale a pena.
 
Era dia de aniversário do Américo Coelho.
O sargento Silva fez uma belíssima caldeirada de cabrito.
No final da refeição, já bem comidos e otimamente bem bebidos, entra na nossa cubata (sala de refeições) um elemento, não milícia, mas sim um dos trabalhadores da estrada, já com os copos, a pedir vinho.
Agora reparem... numa daquelas latas de ananás, já vazia, tinha sido a sobremesa, houve quem abrisse uma garrafa de whisky (Bells, era assim o nome?) e outro elemento (não vou dizer os nomes ) abriu uma garrafa de cerveja Laurentina e despejámos na dita lata.
Ele bebeu tudo de uma assentada. Arrotou...
 
Queres mais? HUUMM HUMM...
Voltámos a despejar e a cena repetiu-se.
Deu três latas e meia se não estou em erro.
Agora não há mais, podes ir embora.
Passado algum tempo eu saí para satisfazer necessidades que o muito liquido tinha causado, noite muito escura e quando regresso reparo que o dito elemento estava encostado á parede mesmo ao lado da entrada.
 
Mal lhe toco ele caiu redondo.
Apesar dos esforços do Cunha ele não deu mais cor de si.
 
Quanto ao Natal e Ano Novo (73/74) tivemos a companhia do Cunha.
Como já aqui disse tenho um filme em que mostra o Cunha em tronco nu no Alto da Pedreira, a farda habitual de quem lá estava estacionado.
 
Também já aqui coloquei fotos dos vários locais dos estacionamentos com os panos verdes a fazer de tendas e que coloco outra vez.
Mais acrescento que a minha memória é muito ajudada pelos documentos fotográficos e fílmicos que aqui foram colocados tanto por mim como por outros camaradas.