quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

E assim foi... um almoço, por Paulo Lopes


E assim foi!

Assim se passou um pouco do sábado que, sendo igual a tantos outros sábados, no tempo hora, no dia, nos segundos, tornou-se totalmente diferente porque trouxe com ele, os eles (e suas, algumas, esposas) acabando por, obrigatoriamente, desfazer o igual dos outros sábados, dos outros dias.


Agarrado a eles traziam a saudade que se espelhava nos olhos, nos abraços quase beijos, sem falsidade nem sensações fingidas!
O natural e puro!
 

E dentro dessa saudade amassada no p...eito e fervida na alma, fermentada por tantos anos, vinha o convívio desejado, a espontaneidade dos discursos individuais e coletivos das vozes, que se misturavam no ar, esbarrando com as palavras que esvoaçavam numa única mesa, de lugar para lugar, de sentido para sentido, sem oposição nem governo, enxurrada de episódios já conhecidos por uns, não tanto por outros, talvez até já muitas vezes repetidos que, pela sua repetição se tornam sempre originais, mas que são e sempre serão um fator comum da família, que nos uniu já lá vão mais de quarenta anos.
 

Também essas mesmas palavras bailaram entre si e passeavam numa velocidade ultra sónica do ontem, para os dias de hoje, onde se cruzavam os meninos que éramos, aos avós que alguns são, no meio de uma garfada, do que nos empurrava as conversas misturadas com um copo de vinho ou de nada, os quais serviram para brindar os ausentes, que os presentes presentearam com um sorriso no semblante!
 
E entre um principio de fado e umas dedilhadas de viola que não existia, fomos comendo o que já não me lembro, porque foi apagado pela força da recordação de estar com meninos e moços, a quem roubaram parte da juventude mas, no outro lado da moeda, não conseguiu tirar-nos a amizade que, mesmo afastada e corroída pela ferrugem da vida e do espaço, nos vai mantendo juntos.

E assim foi.