quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Enfermeiras para quedistas..., por Horácio Cunha

 
 
Li com alguma emoção este texto.
Há tempos, já aqui falei, um pouco detalhadamente, destas mulheres enfermeiras e do seu importante papel em prol dos nossos feridos e estropiados daquela guerra.
Conheci o seu humanismo e o seu sangue frio.
 
Na C Cav.3509, à qual pertenci, como é sabido, atuaram duas vezes, em circunstâncias difíceis, em plena picada e em risco iminente, com os nossos camaradas condutores feridos - Manuel Lopes e Reis.
 
Numa dessas evacuações, uma ainda vinha com as botas (que eram iguais às nossas) por atacar e segundo me confidenciou, enquanto ambos socorria-mos o nosso ferido, estava a descansar um pouco, após grande cansaço, quando foi de novo chamada de emergência para aquele serviço e teve de calçar as botas rapidamente e correr para o hélio que já a esperava, não lhe dando tempo de as atacar.
 
Como nota direi que esta jovem que evacuou o Lopes na picada, por coincidência, foi a mesma que, dias mais tarde, o acompanhou no avião dos feridos que o trouxe para a Metrópole.
E, muito embora o tempo decorrido, reconheceu-o, ficando estupefacta, segundo ele, por lhe terem amputado a perna.
 
Estas jovens enfermeiras para-quedistas caíram, tal como nós, no esquecimento de muita gente, que não reconheceram o seu alto valor altruísta de desempenho, que então realizaram.
 
Deixo aqui, mais uma vez, a minha enorme gratidão e homenagem a essas mulheres, hoje de proba idade e que tão bem são personalizadas, no texto acima apresentado pelo nosso amigo Luís Leote.